segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Amigo do ouvido

Nasci na época do vinil, aquele disco preto, que quanto colocado ao sol e modelado com as mãos me fazia ganhar boas notas na aula de educação artística.
Ouvia a Xuxa e sua turma toda vez que o colocava numa vitrola e deixava em sua base uma agulha bem fininha.
Desde pequena, assim que descobri a música, por pior, nostálgica ou engraçada que seja, vivi ao lado dela. Não lembro desde então, uma época que seja, que eu tenha ficado sem um rádio em meu quarto, mesmo quando o dividia com meu irmão, na minha antiga casa com apenas dois quartos lá em São Paulo, motivo até mesmo de discuções quanto á rádio ou o cd que iriamos ouvir numa manhã de sábado ou domingo.
Assim como o rádio que ficava no meu quarto sempre tive um walkman que me acompanhava na ida ao colégio, a passeios escolares e casa de amigas.
O vinil já era passado.
Logo inventaram o diskman, lembro-me como os cds pulavam a cada movimento brusco que eu dava, porém na verdade, esse eu nunca tive, meu pai nunca pode me dar um.
Quando menos eu esperava surgiu uma nova palavrinha, MP3, que vim descobrir logo em seguida o que era, poxa, essa palavrinha salvou minha vida, pois tantas vezes deixei de ouvir meu artista favorito por falta de dinheiro para comprar um cd.
E não mais tarde surgiu o MP3 player, um aparelho parecidíssimo com o diskmam, mas que "lia" esse tal de MP3. Esse eu só fui ter muito tempo depois de sua existência.
Finalmente para se ouvir um MP3 na rua não é mais necessário a ajuda de um cd, hoje copiamos e colamos nossas música preferidas de nossos computadores para um aparelhinho que cabe dentro de um picolé, agora podemos correr, pular, jogar e a música continua lá, intacta! O iPod e suas cópias (no meu caso, suas cópias) nos acompanham para todos os lugares.
Tenho apenas 21 anos, nasci na época do vinil, e mesmo sabendo que ele está voltando para impedir a pirataria e também pela moda retrô, tudo aconteceu muito rápido, quero ver e viver isso de perto. O que meus filhos irão usar para ouvirem suas músicas prediletas?

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Estado: Calamidade, sobrenome Bahia

Acordo envolvida por algo que há três anos eu não fazia a miníma idéia do que era (pelo menos não ás 07h da matina).
Eu sempre gostei de coisas perto de mim, sempre gostei de proximidades, sempre gostei daqueles que desejassem minha companhia.
Mas nunca tal envolvimento me deixou tão irritada, pela primeira vez senti repúdio por algo que insistia em ficar grudado sobre mim. Sua textura, seu cheiro, e principalmente sua incansável tentativa de não desprender-se de mim.
O sono ainda me envolvia, e meu cerébro como sempre, insistia em não trabalhar. Cadê minhas idéias? O que fazer para finalmente me livrar desse pesar?
De repente ouço um barulho, um barulho refrescante, que vinha do banheiro ao lado da minha cama. Era o som das águas do meu chuveiro, sendo usado inteligentemente pelo meu irmão, que sem dúvida teve seu cerébro menos preguiçoso do que o meu. Banho.
Banhoooo, a arma fiel que me livraria desse empreguino.
Minhas axilas agradeçam, pelo menos durante os primeiros 15min.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ammnésia etnocêntrica

Incrível, realmente é incrível como a música tem o poder de direcionar o comportamento das pessoas. Muitos podem pensar o contrário, e talvez, antigamente poderíamos dizer que isso acontecia em sua grande maioria, mas hoje isso já não é tão visível.
Eu mesma, dos meus 14 anos em diante sempre me relacionei com pessoas que no mínimo tivesse uns 3 gostos músicais parecidos com o meu e isso é muito bacana, mas isso as vezes nos faz esquecer que pessoas que ouvem músicas distintas das nossas, muitas vezes são pessoas legais. Não estou dizendo que devemos frequentar os mesmos bares, mas não precisamos falar mal deles através do orkut ou do fotolog.
Tenho observado que muitas vezes o assunto principal de uma mesa é a crítica aos pagadeiros ou arrocheiros, por acaso você já entrou em algum flogão alheio e viu essas pessoas perderem seus tempos fazendo posts ou comentários em cima de rockeiros ou afins? Se já viu, com certeza foi um caso a parte.
E quer saber de uma? Em sua grande maioria, essas pessoas que alimentam suas noitadas em cima dessas críticas, sem dúvida, em algum passeio escolar já cantou alegremente alguma música do Harmonia do Samba sem saber que o rock existia, assim como eu.